Amigos do futebol, ontem tivemos em Buenos Aires uma partida digna de semi-final de Copa Santander Libertadores. Muita emoção e bom futebol. O Brasil teve o Fluminense representando a verdadeira tradição do futebol brasileiro com muita técnica, velocidade, bom toque de bola e habilidade. Para ratificar o “jeito brasileiro”, falhas na marcação típicas de brasileiros. Ao Boca coube pressionar muito como é de seu costume jogando em casa, mas não conseguiu um resultado satisfatório.
O jogo começou com muita pressão do Boca. Para confundir a marcação, Dátolo, Riquelme, Palácio e Palermo faziam rodízio na frente da área do Flu. Foi assim que Palermo do comando do ataque acionou Palácio na ponta-direita que cruzou rasteiro para Riquelme abrir o placar logo aos 11 minutos de partida.
Estava sendo desenhado um novo passeio do Boca, mas o Fluminense jogava da forma mais eficiente de combater os argentinos: Compactado. A maioria dos times brasileiros em situação como essa abusam dos chutões, lançamentos e passes longos o que facilita muito a forte marcação dos argentinos, mas o tricolor carioca tocava curto e rápido. Conca, Thiago Neves, Cícero, Gabriel e Junior César davam dribles rápidos que abriam a marcação xeneize. Foi assim que Thiago Neves sofreu falta na ponta-direita que ele mesmo cobrou na cabeça do excelente Thiago Silva que empatou a partida aos 15 min da primeira etapa.
O Flu tinha um defeito crônico de marcação nas costas dos seus laterais. Por ali saíram as melhores jogadas do Boca, mas barraram no bom desempenho de Fernando Henrique. No final do primeiro tempo o Flu ainda perdeu um gol incrível com Junior Cesar após uma troca rápida de passes.
O segundo tempo começou com uma pressão incrível do Boca, o Flu não passava do meio campo. O erro de marcação nas laterais foi corrigido, mas outro apareceu: As bolas aéreas. O Boca teve pelo menos quatro chances claras com seus jogadores subindo livres na zaga do Fluminense. O técnico colocou jogadores mais ofensivos para pressionar o Flu (lateral Ibarra, volantes Vargas e Néri Cardozo). Acabou surtindo algum efeito e o Boca abriu nova vantagem após cobrança de falta de Riquelme, aliás a falta que originou o gol não existiu.
Após tomar o gol, o Flu voltou a tocar melhor a bola e se aproveitou dos espaços abertos na marcação do Boca e criou boas chances. Até que após um chute venenoso de Thiago Neves o goleirão reserva do Boca Migliore (Caranta está machucado) engoliu um peru e os brasileiros empataram novamente a partida.
Ainda no final o Boca teve algumas outras chances, mas nada muito agudo. O semblante dos torcedores e do técnico argentino mostraram preocupação com o resultado e sobretudo com o futebol apresentado pelo Fluminense.
Após esse jogo percebi que o Flu realmente foi e é o melhor representante brasileiro nesta Libertadores e com as maiores possibilidades de título. Flamengo, Santos ou São Paulo se estivessem no lugar do Fluminense teriam sido goleados ontem.
Agora resta ao Flu jogar com a mesma técnica e habilidade no Maracanã, com muita calma, pois o 0 x 0 e o 1 x 1 classificam o time para a sonhada final inédita da Libertadores.
Notas:
Fernando Henrique: Apesar da desconfiança da torcida e da imprensa, fez uma partida brilhante com defesas de pura elasticidade. 8
Gabriel: Bem no ataque, mal na defesa. Deixou muitos espaços nas suas costas por onde Dátolo e Morel Rodriguez fizeram a festa. 6
Thiago Silva: Excelente jogador. Seguro na marcação e ainda empatou a partida logo após o Flu ter tomado o primeiro gol. 7
Luiz Alberto: Um rebatedor nato. Sem brincadeira, chutou para o lado que o nariz estava apontado todas as bolas que passavam perto dele. 6
Júnior César: Mais incisivo no ataque que Gabriel, mas também deixou espaços na marcação. Teve uma grande oportunidade no fim do primeiro tempo, mas tentou chutar a invés de rolar para Washington livre. 6,5
Maurício: Muito afobado, errou muitos passes no meio-campo dando contra-ataques ao Boca. 5,5
Arouca: Um pouco perdido na marcação de Riquelme no começo da partida, mas aos poucos foi se acertando. 6
Darío Conca: Muita habilidade e inteligência para segurar a bola ou puxar os contra-ataques nos momentos mais difíceis da partida. 7
Thiago Neves: Que jogador! Coloca a bola onde quer e tem muita habilidade. Dos pés dele saíram todas as jogadas do Flu. Além disso fez um gol. Quer mais? 8
Cícero: Discreto no jogo, mas no final da partida quando o Boca era todo pressão, teve calma para colocar a bola no chão e sair tocando. 6,5
Washington: Sumidão da partida, pois a bola não chegava. Não era a partida propícia para seu futebol. 5
Entraram:
Dodô: Estava na cara que deveria ter entrado logo no começo do segundo-tempo, pois a bola não chegava no ataque e ele poderia vir buscar um pouco mais e prender a bola. Quando entrou não fez isso... 5
Romeu: Entrou para segurar o jogo, mas pouco apareceu. Sem nota
Renato Gaúcho: Não deixou o time jogar recuado. Mas as falhas de marcação do Fluminense precisam ser corrigidas para o próximo jogo. 7
E é assim...
Rafael Duarte
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário