terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Elitização do futebol

Amigos do futebol, estamos vendo um processo lento, mas aparentemente irreversível no futebol brasileiro: A elitização do espetáculo. Palmeiras e São Paulo são os grandes precursores nessa tendência que tem gerado calorosos debates sobre o tema.

Desde os anos 90 com o crescimento da violência nos estádios, o torcedor simplesmente sumiu e os clubes desprezaram essa fonte de receita, pois os contratos de patrocínio e TV cresceram muito tornando a bilheteria desprezível para o balanço financeiro dos clubes.

A tendência agora começa a se inverter e os clubes perceberam que o espetáculo do futebol popular com arquibancadas desconfortáveis e as “gerais” que na verdade eram quase como poleiros começaram a atrair pessoas mal-intencionadas e espantou o torcedor comum que vai com sua família, compra produtos oficiais do clube e gera receita. Então os clubes começaram um trabalho para transformar o futebol em um espetáculo familiar e não uma aventura com riscos à integridade física.

Dessa forma Palmeiras e São Paulo estão aos poucos transformando seus estádios em arenas para promover acima de tudo o entretenimento dos torcedores (os que podem pagar, lógico).

Quem começou com essa história foi o Palmeiras com o setor Visa onde o ingresso custa mais caro, mas fica em um lugar privilegiado e não existem filas para comprar ingressos. Está longe do ideal, mas é um oásis no deserto. Os suínos aproveitaram e aumentaram o valor dos demais setores, mas após a chiadeira das uniformizadas voltou atrás. Com o projeto da Arena Palestra, com certeza o critério do conforto será priorizado.

O São Paulo está transformando aos poucos o Morumbi em um lugar aberto todos os dias da semana, a loja oficial e agora o Santo Paulo Bar são o início do projeto de transformar o maior estádio de São Paulo em um centro de comércio e entretenimento. Está previsto a construção de um cinema, um restaurante e um projeto de visitação turística nos moldes que acontece nos mais modernos estádios do mundo e na La Bombonera em Buenos Aires. O torcedor paga um valor e faz um “tour” monitorado pelo estádio.

Para o torcedor, já existe um setor “Premium” onde o ingresso é mais caro. Também existem os camarotes vendidos a empresas que levam seus clientes para assistir aos jogos com todo conforto, onde além de confortáveis poltronas, tem televisores para o torcedor acompanhar o replay e um buffet para os mais saudosos não se lembrarem do lanche de pernil da porta do estádio. Eu mesmo já tive oportunidade de assistir ao jogo no camarote. Porém ao menos que você seja cliente de uma empresa proprietária de um camarote, você não terá acesso.

Para esses torcedores, o Santo Paulo Bar funciona como um camarote onde o torcedor paga a bagatela de R$ 150,00 e assiste ao jogo com todo conforto e quitutes ao estilo do “Outback”. Tudo à vontade! Para a maioria dos jogos deste ano, não existem mais ingressos disponíveis para esse setor.

Enfim, a preocupação para o entretenimento está em voga e os clubes têm a consciência de que o torcedor não terá condições de ir a todos os jogos, mas quando forem sentirão muito satisfeitos com o serviço, pois hoje o torcedor paga R$ 20,00 a R$ 30,00 no ingresso, mas se sente humilhado e com a sensação que pelo que recebe de volta está pagando muito caro.

E é assim...

Rafael Duarte

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